Miliumas

Miliumas
O livro em Movimento

quinta-feira, abril 27, 2006

Biblioteca do futuro













foto de oficina realizada no Centro de Referencia em Educação Mario Covas em 2002



A biblioteca do futuro

A nova biblioteca é um espaço para Conexões de linguagens afins.
Através de oficinas de criatividade e sensibilização para o ato transformador de contar histórias , onde o educador possa encontrar respaldo à sua capacidade criativa direciona ao incentivo à leitura.
Através de exercícios de comunicação, criatividade e expressividade levar o educador ao contato direto com o seu Contador de histórias, possibilitando fazer Conexões com outras áreas aparentemente tão distantes, como a informática e a dança.
Contações de histórias digitalizadas, performances e eventos criados a partir de livros.
Encontros semanais de reflexão e criação de atividades prazerosas que envolvam o livro.
A nova biblioteca pode abrir espaço para estas manifestações artísticas da nova era, sem perder o olho a olho da arte da narrativa oral , assimilando o virtual.

terça-feira, abril 25, 2006

"Caminho louco e longo"

















"Caminho louco e longo"



adaptação para multimídia do livro de Guimarães Rosa Fita Verde no Cabelo da Editora Nova Fronteira ilustrada por Roger Melo.


Dados do Evento
Nome do Evento: performance multimídia ...

“Caminho louco e longo”

Público Alvo:


crianças, educadores e adolescentes.

Uma composição cênica multimídia a partir do livro de Guimarães rosa Fita verde no cabelo da editora nova fronteira mostra a união entre a literatura em cena e a tecnologia .



“Caminho louco e longo”


A partir do livro de Guimarães Rosa , Fita verde no cabelo, teremos uma performance realizada por duas equipes,uma que realizará a parte gráfica , um filme em com as ilustrações de Roger Melo ampliadas para a instalação onde se dará a contação de histórias e outra que se ocupará com a performance cênica.


Direção de Direção de imagens Spetto

Execução de imagens Markinho Mendonça
Direção de cena e adaptação Tecka Mattoso
Direção musical e coral Celso Coutro




Nova velha estória Ilustrada por Roger Mello.
Em comemoração ao centenário de aniversário de Guimarães Rosa estou preparando esta contação para 2008.

duas atrizes, um bailarino , música ao vivo.


MULHERES ROSIANAS Numa leitura do conto de fadas "Chapeuzinho Vermelho", Guimarães Rosa mostra a trajetória das fantasias de uma adolescente até o confronto com a morte de sua avó, quando "mais se assustou, como se fosse ter juízo pela primeira vez". Prêmio Jabuti de Melhor Ilustração e Melhor Produção Editorial pela Câmara Brasileira do Livro. Prêmio Adolfo Aizen da União Brasileira de Escritores.

"- Quem é? - Sou eu ... - e Fita Verde descansou a voz. - Sou sua linda netinha, com cesto e pote, com a fita verde no cabelo, que a mamãe me mandou". FITA VERDE personagem feminina do conto "Fita verde no cabelo - nova velha estória, da obra: Ave, Palavra. João Guimarães Rosa. br>

A obra, citada, abaixo, reúne contos em que sobressaem os costumes e a linguagem das gentes de Minas. Inclui "A terceira margem do rio", clássico da literatura transformado em filme por Nelson Pereira dos Santos em 1993. É certamente o melhor livro para o jovem ser apresentado à literatura de Guimarães Rosa. Adquirido pela Secretaria de Educação do Governo do Estado de São Paulo. Prêmio Jabuti de Produção Gráfica (menção honrosa) em 2002. "Sua casa ficava para trás da Serra do Mim, quase no meio de um brejo da água limpa, lugar chamado de Temor-de-Deus. O Pai, pequeno sitiante, lidava com vacas e arroz; a Mãe, urucuiana, nunca tirava o terço da mão, mesmo quando matando galinhas ou passando descompostura em alguém. E ela, menininha, por nome Maria, Nhinhinha dita, nascera já muito para miúda, cabeçudota e com olhos enormes. Não que parecesse olhar ou enxergar de propósito. Parava quieta, não queria bruxas de pano, brinquedo nenhum, sempre sentadinha onde se achasse, pouco se mexia. - "Ninguém entende muita coisa que ela fala..." - dizia o Pai, com certo espanto. Menos pela estranhez das palavras, pois só em raro ela perguntava, por exemplo: - "Ele xurugou? - e, vai ver, quem e o quê, jamais se saberia. Mas, pelo esquisito do juízo ou enfeitado do sentido. (...) Em geral, porém, Nhinhinha, com seus nem quatro anos, não incomodava ninguém, e não se fazia notada, a não ser pela perfeita calma, imobilidade e silêncio. Nem parecia gostar ou desgostar especialmente de coisa ou pessoa nenhuma. Botavam para ela a comida, ela continuava sentada, o prato de folha no colo, comia logo a carne ou o ovo, os torresmos, o do que fosse mais gostoso e atraente, e ia consumindo depois o resto, feijão, angu, ou arroz, abóbora, com artística lentidão. De vê-la tão perpétua e imperturbada, a gente se assustava de repente". Maria (Nhinhinha), personagem feminina do conto "A menina de lá", da obra: Primeiras Estórias. João Guimarães Rosa. Homenagem do GEGR -

Edição nº86 - 02/08/02
Uma leitura do conto "Fita Verde no Cabelo", de Guimarães Rosa
O conto "Fita Verde no Cabelo", de Guimarães Rosa, é uma espécie de paráfrase à história de Chapeuzinho Vermelho. A simbologia, porém, é mais profunda e os personagens assumem foros metafóricos no universo diegético, como será observado no decorrer da presente análise.
Como na história original, no conto em apreço existia uma aldeia em algum lugar, nem maior nem menor. Nota-se, assim, que o espaço e o tempo são sempre os mesmos e, por tal razão, irrelevantes.
A presença de neologismo, característica marcante em Guimarães Rosa, do verbo na terceira pessoa do plural do pretérito imperfeito, velhavam, gera duas leituras. A primeira é de que as pessoas da terceira idade se conformavam com a própria condição e agiam nos moldes que a sociedade impunha, ou seja, limitavam-se a aguardar pela morte. A segunda, constitui-se, exatamente, no revés da anterior, caso em que o termo assume foros de reclamação constante e de rebeldia quanto ao processo de envelhecimento.
Enquanto os velhos velhavam, os adultos esperavam, ou seja, aguardavam o momento de também, a exemplo dos mais velhos, "velhar". A atitude é de intensa passividade, não se manifesta nenhum traço de rebeldia, mas, pura e simplesmente, de aceitação incontestável.
As crianças, por sua vez, é que aparecem dotadas de movimento, posto que nasciam e cresciam. É o mito do eterno retorno surgindo no ciclo vital com a infância, a ingenuidade e a inocência caracterizadas, essencialmente, na personagem da meninazinha de fita verde no cabelo.
A fita, diga-se, aliás, é inventada e da cor verde. Isso, por si só, revela uma enormidade de significações. O destaque é a alusão aos contos de fada, em que o "era uma vez" se faz necessário, remetendo à idéia de que o mundo imaginário pode se tornar real a qualquer momento.
Do mesmo modo, a cor verde está ligada à esperança e, ainda, ao processo de crescimento da menina. Em outras palavras, o texto apresenta o desabrochar para a vida, ou, ainda, a adolescência, momento em que o indivíduo começa a enxergar o todo, tomando-se de dores e epifanias aliadas à curiosidade de se sentir humano e participante do mundo.
Voltemos, porém, ao primeiro parágrafo do conto, em que todos tinham juízo, suficientemente, menos uma meninazinha, a que por enquanto.
Esta passagem, caracterizada por uma inversão e pela expressão por enquanto, bem confirma a temática a ser trata mais adiante, relativa ao desenvolvimento da garota de fita verde no cabelo.
Até então, a inocência é imperativa, restando, no entanto, evidentes as marcas já assinaladas de que tal fato não perdurará por muito tempo. E tanto é assim que, no parágrafo seguinte, aparece a figura da mãe determinando a ida à casa da avó. E lá seguiu a menina com um cesto e um pote, à avó, que a amava, a uma outra e quase igualzinha aldeia.
Tudo rememora Chapeuzinho Vermelho, à exceção da fita verde e do poete que, naquela, aparecem sob a forma de um capuz vermelho e de um bolo. A menina, agora, aparece nomidade Fita-Verde, numa introspecção maior à história original.
Ao mesmo tempo, aparece, pela primeira vez, a expressão tudo era uma vez, ou seja, tudo semelhava aos contos de fada. Contudo, o pote continha um doce em calda, e o cesto estava vazio, que para buscar framboesas. O doce em calda, tipicamente mineiro, talvez esteja elencado apenas por uma questão regionalista do autor ou, talvez, para representar o conservadorismo de que podem estar imbuídas as pessoas, num reflexo da perenidade e invocando, ainda, os conjugados verbos velhavam e esperavam anteriormente discutidos.
Note-se que o cesto estava vazio, a menina tudo tinha para atravessar, aprender, viver. As framboesas, portanto, representam as experiências colhidas ao longo do percurso, da vida.
Atravessando o bosque, não viu nenhum lobo, apenas lenhadores, que por lá lenhavam. Há, aqui, neologismo, atribuindo à profissão uma ação verbalizada, ressaltando os aspectos oral e cotidiano do ofício.
Do lobo, só restou o medo, já que os próprios lenhadores cuidaram de exterminá-lo. Assim, podia, a garotinha, seguir tranqüilamente à vovó, com cesto e pote, e a fita verde no cabelo, como havia determinado a mãe, posto que a aldeia e a casa estavam esperando-a acolá, depois daquele moinho.
O caminho, no entanto, que parecia tão próximo, revela-se extremamente distante, desses que a gente pensa que vê, e das horas, que a gente não vê que não são.
E foi assim que Fita-Verde seguiu, ao contrário de Chapeuzinho Vermelho, pelo caminho louco e longo, e não o outro, encurtoso. O sufixo "oso" dá vazão ao pensamento de intencionalidade da personagem que resolveu seguir o caminho comum e recomendável, embora existisse a opção de, do mesmo modo, trilhar outro menos penoso, mais célere.
O processo de crescimento, aqui, resta evidente, pois a menina possui asas ligeiras e sua sombra vem-lhe correndo, em pós. As metáforas tomam maior corpo com a referência às avelãs do chão que não voavam, às borboletas nunca em buquê nem em botão e às plebeiinhas flores, princesinhas e incomuns ignoradas pela própria menina.
Todas essas imagens conduzem à uma maior e imperativa, a de que a garotinha está passando para dentro de si mesma, reconhecendo-se no e do mundo. E, por ser um momento extremamente solitário, interior e introspectivo, as borboletas não aparecem em buquê nem em botão, nem as avelãs voavam, como em outrora. Fita-Verde começa a enxergar os seres como verdadeiramente sã, sem emprestar-lhes um caráter mágico e irreal.
O conto de fadas, ao que demonstra, vai se tornando escasso à medida em que a menina desabrocha junto com as plebeiinhas flores, princesinhas e incomuns que a própria Fita-Verde não percebe ­ posto que vinha sobejadamente -, mas que, por extensão, são ela mesma.
Depois de muito andar, dá com a avó em casa, o que se percebe com a onomatopéia toque, toque e a resposta vinda lá de dentro: Quem é? A neta, então, responde um simples sou eu e descansa a voz para se auto-definir como linda netinha, com cesto e pote, com a fita verde no cabelo mandada pela mãe. Mas já não era a mesma ou estava prestes a deixar de ser.
A avó, nesse momento, determinou que entrasse e a abençoou. Fita-Verde assim procedeu e olhou a velhinha na cama, rebuçada e só. Concluiu, ainda, que devia, para falar agagado e fraco e rouco assim, de ter apanhado um ruim defluxo.
Fita-Verde, portanto, pela primeira vez na vida, deparou-se com a velhice escancarada e os perigos que dela advinham.
Nota-se que a expressão falar agagado, outro dos neologismos de Guimarães Rosa, indica, pelo emprego do sufixo "ado", o modo de falar da avó ocasionado por um terrível resfriado.
Ao mesmo tempo que a menina se depara com aquela imagem que se opunha ao desabrochar que estava vivendo, a avó sentencia: vem para perto de mim, enquanto é tempo.
Fita-Verde, agora, se espantava, além de entristecer-se de ver que perdera em caminho sua grande fita verde no cabelo atada; e estava suada, com enorme fome de almoço. É, portanto, a retratação do despertar para a vida e suas mazelas. A fita verde perdida é a garantia de que a inocência, até tão pouco tempo aquilatada, foi-se embora para sempre.
A menina, assim, está perto da estatização proclamada ao início do conto, com os velhos e velhas que velhavam, homens e mulheres que esperavam, ou seja, tudo que antes produzia efeito epifânico no âmago de Fita-Verde, de um momento para outro é transformado em desolação e medo, como deixa transparecer na exclamação: Vovozinha, que braços tão magros, os seus, e que mãos tão trementes!
E a resposta da avó não poderia ser pior: É porque não vou poder nunca mais te abraçar, minha neta...
A essa altura, Fita-Verde se desespera: Vovozinha, mas que lábios, ai, tão arroxeados! Note-se que o ai reflete, exatamente, o medo que saía dos olhos da menina.
A avó era implacável: É porque não vou nunca mais poder te beijar, minha neta... Sempre reticente, a avó vai incutindo, ainda que de modo tácito, na menina, a idéia da fatalidade, do inevitável.
Mas Fita-Verde, aturdida, ainda outra vez se manifesta: Vovozinha, e que olhos tão fundos e parados, nesse rosto encovado, pálido? É evidente que a garota já sabia o destino da avó, que, finalmente, sentenciou: É porque já não te estou vendo, nunca mais, minha netinha...
E a menina, movida pelo susto e pelo espanto, como se fosse ter juízo pela primeira vez, grita: Vovozinha, eu tenho medo do Lobo!...
Não era o lobo da história de Chapeuzinho Vermelho que Fita-Verde temia. Era a morte, o despertar para a vida, a chegada do juízo, a transição da infância para a adolescência.
E, nesse momento, esteve, de fato, completamente sozinha, já que a avó não estava mais lá, sendo que demasiado ausente, frio, triste e tão repentino corpo. Em outras palavras, o processo de descoberta de si própria se completou no momento da morte da avó. Já não era mais Fita-Verde, era um ser no e do mundo.

Érica Antunes é advogada e professora e autora deste texto maravilhososo pesquisado na net.

Fita Verde no Cabelo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1992. Érica Antunes erica@navedapalavra.com.br Érica Antunes é advogada e professora. ...www.navedapalavra.com.br/ resenhas/1leituradocontofitaverde.htm - 14k


Referência Bibliográfica:
ROSA, João Guimarães. Fita Verde no Cabelo. Rio de Janeiro:
Nova Fronteira, 1992.

atrizes Tecka Mattosó e Gloriette
baílarino Thiago Antunes e Nilson Muniz
música ao vivo Flavio Fernandes e Celso Coutro


direção imagens VJ Spetto
imagens Markinho Mendonça
direçaõ musical Celso Coutro
direção de cenaTecka Mattoso


Objetivo :

" Montar o Livro em Movimento de Fita Verde no cabelo como uma poesia cênica em homenagem a Rosas..".







terça-feira, abril 18, 2006

Conexões Tecnológicas















Evento

Para Conexões tecnológicas

Contador de histórias contemporâneo

Arte e Tecnologia


da arte oral à virtual

Spetto, Tecka Mattoso, Markinho Mendonça



Fragmentos de livros .

O anel azul da Iara Encantada do Amazonas

Lendas da Amazônia








segunda-feira, abril 17, 2006

Tecendo Contos


Vânia Borges e Tecka Mattoso

TECENDO CONTOS

A doce Zenfunda Violeta passa horas de tardes em companhia de velhinhos do asilo .

Voltando a ler , a contar histórias a brincar de roda e a cantar.

sábado, abril 08, 2006

Festa das meninas princesas


Festa da Júlia e da Laís:


Texto 1 –

Aniversário de princesa!
Tem que ter um vestido de princesa!
Chama o Príncipe Mateus ou Pedro :

-Tem que ter uma roupa de Princesa,
a mais linda roupa já imaginada


V - A COSTUREIRA DAS FADAS Reinações de Narizinho
(texto de Monteiro Lobato)

Depois do jantar, o Príncipe levou Narizinho à casa da melhor costureira do reino. Era uma aranha de Paris, que sabia fazer vestidos lindos, lindos até não poder mais! Ela mesma tecia a fazenda, ela mesma inventava as modas.
_ Dona Aranha - disse o Príncipe - quero que faça para esta ilustre dama o vestido mais bonito do mundo. Vou dar uma grande festa em sua honra e quero vê-la deslumbrar a corte.
Disse e retirou-se. Dona Aranha tomou a fita métrica e, ajudada por seis aranhinhas muito espertas, principiou a tomar as medidas. Depois teceu depressa, depressa, uma fazenda cor-de-rosa com estrelinhas douradas, a coisa mais linda que se possa imaginar. Teceu também peças de fitas e peças de renda e peças de entremeio - até carretéis de linha de seda ela fabricou.

(Cena dançada de medição pra lá e pra cá) .
levar fitas e fita e rendas para performance

_ Que beleza! - ia exclamando a menina, cada vez mais admirada dos prodígios da costureira. Conheço muitas aranhas em casa de vovó, mas todas só sabem fazer teias de pegar moscas; nenhuma é capaz de fazer nem um paninho de avental...

-É que tenho mil anos de idade - explicou Dona Aranha - e sou a costureira mais velha do mundo. Aprendi a fazer todas as coisas. Já trabalhei durante muito tempo no reino das fadas; fui eu quem fez o vestido de baile de Cinderela e quase todos os vestidos de casamento de quase todas as meninas que se casaram com príncipes encantados.

_ E para a Branca de Neve também costurou?

_ Como não? Pois foi justamente quando eu estava fazendo o véu da noiva de Branca que fiquei aleijada. A tesoura caiu-me sobre o pé esquerdo, rachando o osso aqui neste lugar. Fui tratada pelo Doutor Caramujo, que é um médico muito bom.

Sarei, embora ficasse manca o resto da vida.

-Acha que esse Doutor Caramujo é capaz de curar uma boneca que nasceu muda? - perguntou a menina.
- Cura, sim. Ele tem umas pílulas que curam todas as doenças, exceto quando o doente morre.
Enquanto conversavam, Dona Aranha ia trabalhando no vestido.
- Está pronto - disse ela, por fim. - Vamos prová-lo. Narizinho vestiu-se, indo ver-se ao espelho.
E estava mesmo linda. Linda, tão linda no seu vestido cor-de-rosa com estrelinhas de ouro, que até o espelho arregalou os olhos, de espanto.

Trazendo, em seguida, o seu cofre de jóias, Dona Aranha pôs na cabeça da menina um diadema de orvalho, e braceletes de rubis do mar nos braços, e anéis de brilhantes do mar nos dedos, e fivelas de esmeraldas do mar nos sapatos, e uma grande rosa do mar no peito.

Mais linda ainda ficou Narizinho, tão mais linda que o espelho arregalou um pouco mais os olhos, começando a abrir a boca.

_ Pronto? - perguntou a menina deslumbrada.

_ Espere - respondeu Dona Aranha Costureira. - Faltam os pós de borboleta.

E ordenou às suas seis filhinhas que trouxessem as caixas de pó de borboleta. Escolheu o mais conveniente, que era o famoso pó furta-todas-as-cores, de tanto brilho que parecia pó de céu-sem-nuvens misturado com pó de sol-que-acaba-de nascer. Polvilhada com ele a menina ficou tal qual um sonho dourado! Linda, tão linda, tão mais, mais, mais linda, que o espelho foi arregalando ainda mais os olhos, mais, mais, mais, até que - craque!... rachou de alto a baixo em seis fragmentos!

Em vez de ficar danada com aquilo, como Narizinho esperava, Dona Aranha pôs-se a dançar de alegria.

-Ora graças! - exclamou, num suspiro de alívio. Chegou afinal o dia da minha libertação.

Quando nasci, uma fada rabugenta que detestava minha pobre mãe, virou-me em aranha, condenando-me a viver de costuras a vida inteira. No mesmo instante, porém, uma fada boa surgiu, e me deu esse espelho com estas palavras: “No dia em que fizeres o vestido mais lindo do mundo, deixarás de ser aranha e serás o que quiseres”.

_ Que bom! - aplaudiu Narizinho. - E no que vai a senhora virar?
_ Não sei ainda - respondeu a aranha. - Tenho que consultar o Príncipe.
_ Sim, mas não vire em nada antes de destes retalhos um vestido para a Emília. A pobrezinha não pode comparecer ao baile assim, em fraldas de camisa como está.
-Agora é tarde, menina. O encantamento está quebrado; já não sou mais costureira. Mas minhas filhas poderão fazer o vestido da boneca. Não sairá grande coisa, porque não tem a minha prática, mas há de servir. Onde está a Senhora Emília?
Narizinho não sabia. Depois que furtou os óculos da velha e saiu correndo, ninguém mais vira a boneca.
Dona Aranha voltou-se para as seis aranhinhas.
-Minhas filhas - disse ela - o encanto está quebrado e logo estarei virada no que quiser. Vou, portanto, abandonar esta vida de costureira, deixando a vocês o meu lugar. O encantamento continua em vocês. Cada uma tem de conservar um pedaço do espelho e passar a vida costurando até que consiga um vestido que o faça rachar de admiração, como sucedeu ao espelho grande.
Nisto o Príncipe apareceu. Narizinho contou-lhe toda a história, inclusive a atrapalhação da aranha quanto à escolha do que havia de ser.

O Príncipe observou que seu reino estava com falta de sereias, sendo muito do seu agrado que ela virasse sereia.

_ Nunca! - protestou Narizinho, que era de muito bons sentimentos. - Sereias são criaturas malvadas, cujo maior prazer é afundar navios. Antes vire princesa.

Houve grande discussão, sem que nada fosse decidido. Por fim a aranha resolveu não virar em coisa nenhuma.

-Acho melhor ficar no que sou. Assim, manca duma perna, se viro princesa ficarei sendo a Princesa Manca; se virar sereia, ficarei a Sereia Manca - e todos caçoarão de mim. Além do mais, como já sou aranha há mil anos, estou acostumadíssima.


E continuou aranha.
3 minutos de música triste com aranha manca.

-“ Saracoteai na teia da aranha que a aranha te pega pá papa...”


- “de presente eu gosto, de presente eu gosto...”.


História de um barquinho de Ilo Krugli


Era uma vez um barquinho.
O nome dele era Pingo Primeiro.
O Pingo nunca tinha navegado, vivia ali sempre parado e preso por uma âncora .
De vez em quando ele recebia alguma visita:
“Borboleta pequenina saia fora do rosal , vem ver cantar o hino que hoje é noite de Natal. Eu sou uma borboleta pequenina e feiticeira, vivo no meio das flores procurando quem me queira...”
E o barquinho chama:
-Fica aqui borboleta ...
-Não posso, a vida só dura um dia , tenho muito que conhecer....!!.Vem comigo barquinho!

-Não posso, estou preso.

Até que um dia , o rio fez uma surpresa pro Pingo trazendo pra perto dele a mais linda flor que já se viu . Irupê.

“Irupê, Irupê, flor dos meus olhos morenos, de mim se perdendo nas ondas do mar...”

-Olá Pingo!
-Olá Irupê!

-Eu vim descendo da montanha , nesse domingo lindo.
-E você , onde mora?
-Moro aqui mesmo no Rio Amazonas, entre uma margem e outra, nunca saio daqui, estou preso por uma âncora.

E assim Pingo e Irupê conversaram, riram, brincaram por todo o dia.
No cai da tarde uma ventania forte...vai levando Irupê.
Pingo ao vê-la se afastando, grita:
-Irupê, volta aqui!
-Não posso, as ondas estão me levando...
vem comigo, Pingo!

-Não posso, estou preso, Irupê!!

“Irupê, Irupê.”.
...e agora, onde encontrar Irupê?

“Saracuteia na teia da aranha que aranha te pega pá papá...”

“De presente eu gosto, de presente eu gosto...”
- Dona aranha, faz um favor, me solta aqui, tenho que tirar esta âncora!
-Aranha não faz favor.
-Pega então de presente esta âncora!
-De presente eu gosto, uhm que maravilha vou levar para minhas aranhinhas costurarem...
Belo presente...

E assim Pingo Primeiro se libertou e desceu o Rio a procura de sua amada, no caminho encontrava peixinhos , flores ...e perguntava para todo mundo:
-Vc viu Irupê?
-O que é Irupê?Um barco?

E ele respondia:

-Não, Irupê não é um barco , Irupê é uma flor ....é uma flor, a mais linda flor que já se viu .

“Irupê não é um barco, Irupê é uma flor.”

E foi descendo o rio até que chegou no mar.

Nunca Pingo tinha visto tanta água.
Quando passava por ali um enorme transatlântico.

Fooom

Hei, o senhor viu Irupê.
Não posso parar , estou indo para Europa e não conheço flores. Sou o Geral T, Eugenio C e estou indo para Europa.

Foi quase pisoteada por aquele monstro Nuvem cinzenta apontavam pelo sol poente e Pingo se viu então, sem âncora , numa tremenda tempestade.

Quando apareceu um marinheiro sei lá de onde.

“Quem te ensinou a nadar”.
Quem te ensinou a nadar
Foi, foi, marinheiro , foram os peixinhos do mar...”

-Ei Pingo, coloca esta âncora aqui, senão você vai se afogar !
E Pingo tinha medo:
- Se colocar âncora não vou mais poder procurar o meu amor, nunca mais quero estar preso.
-Não Pingo, deixa de bobagem, âncora se põe e se tira.

Quando estiver em apuros:
-abaixa a âncora
Quando tiver que navegar
-levanta a âncora

“Quem te ensinou a nadar...foi foi marinhseiro foram os peixinhos do mar ...”.

E assim pingo foi voltando Rio acima, sempre perguntando por Irupê

Até que um dia , lá no cantinho, banhada de sol.
Pingo viu...

-Irupê
-Pingo

Foi um encontro maravilhoso e dizem que vivem juntos até hoje no rio Amazonas...


Por que o mar tanto chora.
Cinderela Sergipana.(Silvio Romero 1883).

Onde morava uma Rainha.
Uma rainha que estava casada há muito tempo e ainda não tinha um filho.”Um Deus , permita que eu engravide, nem que seja para dar a luz à uma serpente”, ela rezava noite e dia até que por fim Deus concedeu sua prece e lhe concedeu uma filha , que nasceu com uma cobra enrolada no pescoço.
A princesinha recebeu o nome de Maria e, assim que aprendeu a falar, chamou a cobra de d.Labismina .As duas eram grandes amigas. Passeavam muito pela praia , nadavam juntas, brincavam.

Às vezes Maria deixava D.labismina mergulhava sozinha, mas se ela demorava a voltar , punha-se a chorar em grande aflição .
Um dia a cobra entrou no mar e desapareceu. Antes porém, disse a princesa que se estivesse em perigo , bastava chamá-la.

Anos depois a rainha de um país vizinho adoeceu. Quando estava preste a morrer , tirou um anel do dedo e o entregou ao rei , seu marido dizendo:
- “se você se casar de novo escolha uma princesa em cujo dedo caiba este anel direitinho.”

Tão logo ficou viúvo, o rei, que era um homem velho, feio e rabugento, resolveu procurar uma noiva .
Mandou o anel para todas as princesas do mundo experimentarem, e ele não coube em nenhum dedo.
Então descobriu que uma princesa ainda não experimentara :Maria foi visita- la em seu palácio e sem a menor dificuldade colocou-lhe o anel no dedo. Maria não queria se casar com aquele homem horroroso, , mas seus pais exultaram, pois era um a homem imensamente rico.
O casamento foi marcado pra breve .A pobre noiva desesperada , chorou dias a fio, até que se lembrou do que Dona Labismina lhe dissera ao se despedir .Foi então para a praia , chamou sua fiel amiga e lhe contou o que estava acontecendo.”Não se preocupe”, a cobra falou.”Diga ao rei que só se casará com ele se ele lhe trouxer um vestido da cor da mata com todas as flores.”
Maria fez exatamente como Dona labismina lhe recomendou.
O velho ficou muito aborrecido, mas, como estava encantado com a beleza da noiva , prometeu que lhe daria o tal vestido. Demorou bastante tempo, porém acabou cumprindo sua palavra.
“E agora, o que vou fazer?”, a princesa perguntou à cobra .Diga-lhe que só se casará se ele lhe der um vestido da cor do mar com todos os peixes.”, respondeu a boa amiga”.
O rei se aborreceu ainda mais, porém fez de tudo para atender a exigência da noiva .E lá se foi Maria mais uma vez pedir socorro à Dona labismina .”Diga-lhe que só se casará se ele lhe der um vestido da cor do céu com todas as estrelas.”, recomendou a cobra.
Ao tomar conhecimento desse novo capricho, o rei ficou terrivelmente irritado, mas, como das outras vezes , prometeu satisfazê-lo e não deixou de cumprir a promessa.
Desesperada, a princesa correu para a praia , onde sua fiel amiga já a esperava em um barco a postos.
“Fuja depressa!”, disse-lhe Dona labismina.” Este barco a levará para um reino distante , onde você se casará com o filho do rei. No dia de seu casamento , vá até a praia e me chame três vezes , para que meu encantamento se rompa e eu também seja princesa.”

Maria partiu e, conforme a cobra informara foi ter a um reino distante. Sem recursos para se manter , dirigiu-se ao palácio e pediu emprego. Encarregaram-na de cuidar do galinheiro.

Pouco depois se realizou uma festa anual na cidade que durava três dias. A família real e os fidalgos saiam para festejar com o povo. Maria recebeu ordens de ficar com as galinhas, porém assim que se viu sozinha pós seu vestido cor da mata com todas as flores e pediu a dona labismina uma carruagem e também foi à festa.

Todos que a viram se maravilharam com sua beleza , principalmente o filho do rei , mas ninguém a reconheceu.

Principalmente o filho do rei, mas ninguém a reconheceu .Maria se divertiu algumas horas e voltou para o palácio .Estava em seu canto toda esfarrapada quando o príncipe chegou e disse:vc viu aquela maravilha? , o rapaz perguntou à mãe antes de descer da carruagem, .”Não acha uq e se parece com a moça que cuida de nosso galinheiro?””A rainha franziu a testa surpresa “Imagine, a moça que trabalha em nosso galinheiro, vive maltrapilha e suja.. ”O príncipe deixou os pais falarem e foi falar com Maria”:

-Hoje vi lá na festa uma princesa muito parecida com você...”corando até a alma a princesinha murmurou:” Por favor alteza, não zombe de mim!”
No dia seguinte, depois que todos saíram, Maria pôs sua vestida cor do mar com todos os peixes e foi se divertir um pouco.
Perdidamente apaixonado o príncipe perguntou a uns e outro quem era aquela beleza, mas ninguém soube lhe dizer.
No terceiro dia da festa Maria usou seu vestido da cor do céu com todas as estrelas, e quando ia se retirar, recebeu do príncipe uma jóia.
Encerrados os festejos , o filho do rei caiu numa tristeza de dar pena. passava o tempo todo na cama, suspirando, e se recusava a comer. Sem saber mais o que fazer , a rainha ordenou à moça do galinheiro que preparasse uma canja suculenta para o filho debilitado. Maria obedeceu sem pestanejar e, antes de mandar a tigela de canja para o príncipe, colocou dentro o presente que ele lhe dera. Ao tomar a primeira colherada o rapaz encontrou a jóia e saiu da cama gritando estou curado, minha amada só pode ser a moça do galinheiro.
A rainha chamou Maria, que se apresentou usando o vestido da cor do céu , e naquele mesmo dia se casou com o príncipe.
Zonza de felicidade, a jovem se esqueceu de ir á praia e chamar por três vezes por sua fiel amiga assim , dona Labismina nunca se libertou de seus encantamentos , e é por isso que o mar tanto chora.

E se esquece de sua boa , amiga Dona Labismina.
E é porisso que o mar tanto chora


“Stamos em pleno mar..
Doudo no espaço brilha o luar , dourada borboleta..!”

"Que navio é este que chegou agora é um navio negreiro que é um marco na história" Caetano Veloso

Era um tempo que todas as histórias haviam desaparecido (Lenda africana).






























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