Miliumas

Miliumas
O livro em Movimento

quarta-feira, julho 20, 2011

Era uma vez



Era uma vez...

e é ainda 




                                                  O Miliumas





Pra poder falar de como começou o Miliumas , tenho que falar de como comecei.Nasci entre lindas palavras com alma de poeta.Em São Paulo, Capital , filha de dois "caipiras" filhos do interior de São Paulo, Santa Rita do Passa Quatro, meu pai Mamarama, médico e poeta e de Barretos, minha mãe, Juliamaria , professora normalista da Caetano de Campos, os dois vieram para a Capital para estudar.A poesia e a educação faziam parte de meu cotidiano.


Alma de poeta

Busquem na inspiração destes meus versos.
Alma dos sonhos que sonhei na vida.
A sombra da ventura apetecida.
Entre anseios e ilusões dele dispersos.
Do poeta a existência resumida.
Em rima e sons produz frutos diversos.
Da treva extrai centelhas de universos.
E da mágoa uma pérola brunida.
Feliz quem faz da vida áureos poemas.
E rosas despetala ä esfinge alada.
Sem temer a emboscada dos dilemas.
Pela existência insípida vegeta.
Quem na poesia não encontra nada.
Quem não compreende a alma do poeta.

Mario Mattoso

Família de poetas e educadores , meu pai médico e poeta, e de educadores como minha mãe, professora excelente e sensível que era , me chamou para contar histórias religiosas em uma sala de 4 ano, quando eu tinha uns treze anos apenas e eu apaixonada por livros , rosas e crianças, enfrentei a tarefa tão bem e gostei tanto que nunca mais parei , fui pegando gosto, pesquisando muito para ter mais técnicas , dinâmicas de grupos que fui extraindo de terapias alternativas como somaterapia , análise transacional, simbologias , tecnicas de criação coreográficas até fazer terminar o curso técnico na educação, o magistério.

Estimulada à leitura desde criança,onde além da poesia cotidiana que tinha em casa por parte do pai e avô  , tinha ainda minha mãe , querida, que lia muito e narrava os livros em capítulos antes de eu dormir , para mim e minha irmã caçula , a Carmen , o livro que mais lembro agora era Vera Lúcia Pingo E Pipoca, que me lembro mais , passava o dia criando as imagens narradas , aguardando a leitura de mais um capítulo , e as reuniões de família eram sempre lindos saraus e assim foi nascendo o ofício que hoje empresto totalmente ä divulgação de livros.

Depois do magistério fiz faculdade de Artes Cênicas mas não terminei, "pulei o muro"  da faculdade e fui parar no teatro Ventoforte , formação consistente em teatro visceral , com Ilo Krugli  simplesmente , experimentando a interpretação que vem dos elementos da natureza eu ousaria dizer uma formação de atriz através de um mago da alquimia teatral.Uma formação global visceral, mediúnica.

Depois de “formada” consegui montar o trabalho com muito treino, na raça tendo que ampliar a voz, molda-la, trabalha-la , através da dança consciente , continuei , isso tudo com muito esforço .Com as pesquisas divididas na tarefa de ser mãe de tres filhos lindos , A Priscila, o Fabio e a Marina , cada um pode acrescentar muito a minha carreira e completaram a pesquisa de contadora de histórias, sob o ponto de vista do dia a dia , de estímulo à leitura em casa , como mãe.Assistiamos muitas peças de teatro, líamos muito em conjunto , existia o Bambalalão e com o fato de ter três crianças, acabava mergulhada no universo infantil 24 hs por dia, o que realmente me fez muito conhecedora deste mundo que tanto amo e até hoje vivo nele , como avó e hoje posso saborear minha neta de 6 anos, a Júlia , contando histórias para a Laís de 3 anos.E ainda acompanho os novos heróis desta outra geração de Charlies e Lola ,Discovery Kids, blogs e sites que também estimulam minha pesquisa de contadora de histórias.

Tive a honra de conhecer o clown com o LUME , o Simioni e o Burnier bem como o Ricardo Pucetti , e trabalho de interpretação com oficinas com Miriam Muniz, Paulo Yutaka , Gerald Thomas , Denise Namura , queria  tomar contato com o teatro profissional mesmo e a dança que me estimula a aquecer, abrir os poros para a entrada da história nova, que acaba de chegar  , através destas oficinas que aperfeiçoem minha performance e com todas estas informações técnicas fui formando o trabalho que hoje considero já bem maduro e sei que tenho muito ainda que melhorar.



Sempre foi complicado para mim trabalhar em grupo, conciliar horários para ensaios o que me direcionou mais para o improviso e o trabalho solitário mesmo das narrativas em duplas ou trios e que me estimulou a procurar parcerias nas tecnologias.

O que faço, não é teatro, nem se propõe a isto, são performances centradas no livro. Como uma chamariz à viagem solitária da leitura, isso que penso poder contribuir com a melhoria da vida das pessoas , ampliar os lindos livros para serem lidos e também aproximar da linguagem teatral levando para o cotidiano tosco da educação um pouco de alegria e respiro.

Tem o claro objetivo de narrar histórias de livros com o livro em cena de preferência ampliado em uma tela, num quartinho escuro, brincando de ouvir livros, referenciando o ouvinte a sua fonte e valorizando ao máximo as ilustrações que são para maravilhosas obras de arte  . Incentivo à leitura de letras e de formas e de cores.Para formar o hábito .Vale relembrar os Disquinhos Coloridos que marcaram tanto minha infância.
No início de minha carreira eu inventava as histórias , achava isto muito criativo mas hoje , quanto mais leio autores maravilhosos , acho uma real perda de tempo narrar minhas infantis e criativas historinhas , não foi para isto que vim ao mundo, penso eu.

Quero mesmo ser porta voz de Oscar Wilde, Roger Melo e então assumo a costura das obras, a costura , o bordado mas não a história e suas palavras .

E não assino nada, só narro mesmo e adapto ao público do dia, isto que é o melhor , olhar o público e perceber, que livros narrar ?Verdade, tem horas que mudo tudo .Fazer o que?


Depois crio uma história maior que une todas as outras , levando um livro a outro como um caminho aberto.

Convido a todos a um passeio literário musical ritual celebrativo pelo blog.

Hoje em dia tenho um repertório imenso por ser tão velha e grande a pesquisa e a alegria maior em desvendar uma nova história e um novo autor sempre com o mesmo interesse que da primeira vez.

São inúmeras realizações em muitos anos de trabalho desde o final dos anos 80.

Só da foto montagem aí de cima posso contar algumas passagens destas mil e uma histórias narradas: O formato da foto é de um cubo , que parece a Caverna tecnológica da Usp , contei histórias lá ,com imagens 3d na Feira de Ciências para a contação sobre a Tarsila do Amaral na Febrace  , tem também as contações realizadas em asilos , que maravilha , com as Histórias à brasileira , um projeto divino , O palco em cena que foi uma exposição no Sesc Vila Mariana e eu narrando a histórias dos orixás , Na bienal do livro lançamento da submarino ,para adultos Todas as Comédias da LPe M fazia o Lixo com o grande Gustavo Machado e para crianças A bolha da Raquel Pimentel da Brinque Book.
Ai, tudo lindo é adorável.Muitas lembranças de uma contadora de histórias de um novo tempo .


Uma profissão cheia de construções de narrativas trabalhadas uma a uma , bordadas delicadamente .Tenho preferências com as linguagens e existiram trabalhos especiais , de alguns como:

Heloísa Prieto
Ítalo Calvino
Roger Mello
Oscar Wilde
Andersen
Grimm
Arnaldo Antunes
Umberto Eco
Etc

Fui ampliando voz e diminuindo os gestos, as imagens e as palavras, colocando musicas, vou caminhando trilhando um caminho peculiar de encontro com a arte da narrativa a parir de Ilo Krugli e depois outras referencias foram se somando, Giba Pedrosa, Leila Garcia , Regina Machado , engrossando o caldo dos contadores ativos no passado tão poucos e que hoje é enorme e ainda mais enorme será!!!Um movimento progressivo.Deu certo, multiplicou e realmente aconteceu o reacordar do velho habito.


Já esta contação de cima, foi na Bienal do Livro no Stand do MEC, curadoria da Suzana Vargas e adoro ver o olhar fixado que passam por mim e chegam nas palavras e imagens .Alí eles estavam ouvindo falar dos Muiraquitãns que existem no fundo do Rio Amazonas.

"Então as Amazonas mergulhavam e recebiam das mãos da mãe das pedras verdes , como penhor da sua consagração , o presente destas jóias sagradas. "

A Lenda das Pedras Verdes pgs 42 e 43 do livro Henriqueta Lisboa do livro Literatura oral para infãncia e Juventude da editora peirópolis Lendas Contos e Fábulas populares no Brasil.

Cada foto tem uma história a ser contada.

E também gosto muito de fazer pecinhas para Podcast.


http://www.podcast1.com.br/blog.php?codigo_canal=538

Estas últimas maravilhas de mídia que tanto gosto de trabalhar.

postagens de realizações:



2005


Lobato on line em cena 
John Lennon Desenhos para meu filho
História do barquinho Ilo Krugli
Meninos do Chico (projeto para um orfanato)
Miliumas na Febem
Livro na Tv
La vie un doulce
Oficina de cores e contos
bienal submarino
dom quixote
aline em cena
bonecos
contos de bode
cinderelas


2006


lenga la lenga
mata trianon
rosas corredor literário 
o anel azul
papo de aranha
cursos
la loba
livro clip
palavra cigana
meu santinho
eco do eco
 cre
caminho louco
conexões tecnologicas
tecendo contos
festa das princesas


2007


ciranda de homens e livros
festival prefeitura de sp 
corredor literário 
bienal rio stand fnde
embarque na leitura metrôs
a amazonia é nossa livraria cultura
livraria cultura férias na cultura 
cenas de livros Sesc Paulista
brincar de ler Sesc Paulista
cidades invisíveis do Italo Calvino SESC Paulista 


2008
de além mar sesc consolação
que navio é esse?sesc santana
tristão e isolda IBL
natal asilo português
mata cave
mata itaú 
ponto de leitura miliumas 
mil folhinhas de contar


memórias de uma contadora de histórias pioneira na cidade 


o anel de ouro ganhei de minha mãe foto de Lígia Garcia na Casa das Rosas 2011


corri, corri, cheguei antes e hoje paro  para escrever a história de uma narradora apressada e deixar de alguma maneira o registro de ações tão engrandecedoras  para a minha vida, onde acredito piamente que vou melhorar a educação e o mundo num abraço de livros.


deixo a continuidade aos meus alunos e netas e vou passar o fim da vida narrando as contações que tive a honra de realizar.


amo o meu trabalho e os narradores do mundo todo !






" Era uma vez um general malvado com a farda cheia de galões...."Umberto Eco para crianças A bomba e o general .





























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