Miliumas

Miliumas
O livro em Movimento

sábado, dezembro 01, 2012

Ponto Miliumas por Marta Helena Dias Mirabai


Miliumas o livro em movimento
O Ponto Miliumas – Situado em um sobrado rústico na cidade de Camanducaia encontramos um ponto de leitura da Biblioteca Viva credenciado pelo Ministério da Cultura, projeto encaminhado pela atriz, diretora de teatro e contadora de histórias: Tecka Mattoso, que carinhosamente chamamos da “Casa da Tecka”, este projeto  funciona com um acervo aproximadamente de 950 livros, dvd´s, um computador, material de português e inglês.  Tecka , através do Ponto Miliumas oferece tardes de leituras variadas, a contadora de histórias cria programas  diferenciados para diversos públicos, há contos também para adultos, este ponto de leitura tem programas interativos, como oferecer e compartilhar a leitura pela comunidade, assim há eventos que todos poderão ler uma parte pequena das histórias , prosas , poemas , etc …isto com um peso cênico que a profissional traz da sua experiência e bagagem para cada leitura.Um exemplo da criatividade e inovação foi a programação para o Dia das Crianças onde foi sugerida a contação e leitura com a chamada:  “A Tarde da Pipoca e Livro!”. O ponto de leitura está situado num sobrado onde a sala torna-se um grande sonho com almofadas, objetos para encenar, muitos livros, temas diversos, autores internacionais, enfim;  capítulos e personagens recriados por ela e por quem  participar , também  há um quintal aconchegante para que nos dias calorosos a população possa usufruir da leitura ao ar livre.






 PROJETO PEDAGÓGICO:       Projeto Vivo do Ponto Miliumas.


“Miliumas e seu passeio Poético Musical Brincante pelo bosque encantado do livro infantil .”
Venham…


Brincar de ler.




“A gente brinca de roda.
  A gente brinca de amarelinha...
  Brinca de mais o que maninha?
  A gente brinca no computador.
  E de que mais a gente pode brincar?
  A gente pode brincar de pega pega.
  A gente pode brincar de esconder.
  E sabe que mais que a gente pode brincar?
  Pode é brincar de ler .
  Pode é brincar de ler!”      (Poema musicado- Tecka Mattoso)




Miliumas, o livro em movimento, vencedor do Concurso Machado de Assis, criado pela atriz Tecka Mattoso, tem a capacidade de trazer um ambiente totalmente cultural. Dentro do informal e num clima de descontração encontramos uma realidade de cultura, leitura, pérolas literárias, criação e arte. A experiência que uma pessoa (sem distinção de idade ou classe social), pode vivenciar neste ambiente é organizado através de várias narrações, gêneros e tipos textuais, épicos, poemas, histórias em quadrinhos, etc.


POR QUE O LIVRO EM MOVIMENTO?


Porque o projeto é vivo, as crianças e jovens estão inclusos no processo desde o momento da chegada no espaço,  auxiliam a contadora de histórias a olhar os livros, sugerir idéias, separá-los por temas, por gêneros, arrumam o salão e tudo isto propositadamente recriado para que  exista uma interação da contadora com os ouvintes, assim criando uma “aura” para a leitura. Em uma circunstância como esta, uma criança expressa: “…mas tia, eu não sei ler!”; adultos também por vezes no decorrer do trabalho da atriz, compartilham com penar : “Eu não sei ler!”
A criadora do projeto replica: “ Sim, você sabe ler! Você sabe ler as cores, você sabe ler, interpretar seus sentimentos, o barulho da chuva, o que lhe agrada e desagrada; olha como você sabe ler muitas coisas! Essas outras linguagens já nos ajudarão para o início da nossa leitura!”


O Ponto Miliumas além de servir à população com este cardápio literário; a criadora do projeto realiza oficinas e workshops a partir de métodos e técnicas cênicas como impostação de voz ,  postura, expressão facial, gestual, para que se revele uma nova concepção do ensinar e aprender,  enfim, um convite para uma boa leitura.  O trabalho corporal dessas oficinas podem estar dirigidas à ambientes escolares e pedagógicos, uma solução para que os professores aprendam técnicas de liberar as tensões do dia a dia escolar e aprender a trabalhar a voz, o texto, o corpo, os gestos, para que através de exercícios e também relaxamentos alcancem a leitura por inteiro, consequentemente usando este material interno para uma boa aula.


Obtemos aqui,  uma solução para a problemática das escolas carentes ou também as escolas da região que  beneficiam –se com profissionais atualizados, através destes workshops, entendendo o processo evolutivo para o ensino da língua portuguesa; aprendendo a lidar com as questões de interpretação de literaturas nas escolas, criando condições de contatos visuais e sabendo lidar com improvisações; resultando em um aluno que se familiariza com o livro, ensinando-o a observar as cores, o formato, o cheiro, o papel, as palavras escolhidas pelo Autor, as palavras que os agradam, assim tornando-o mais íntimo com o que mais lhe apraz.


Depoimento de algumas crianças frequentadoras do ponto de leitura:  


“Eu venho aqui porque sou corajoso” – Caíque , estudante, 08 anos, morador de Camanducaia. (Será que ele se refere as surpresas e aos textos escolhidos, as palavras que irá aprender?)


“Eu fiquei muito feliz aqui, quando eu entrei e ví que não era apenas uma biblioteca , mas que eu podia ajudar , mexer em tudo, perguntar e organizar junto com a Tecka, fora as histórias que são sempre uma surpresa, estou gostando muito de ter este lugar na cidade.” -  Ana, estudante, 12 anos , morada de uma vila rural próxima de Camanducaia.


“As histórias bem contadas me ajudaram a entender melhor o texto, assim fica bem mais interessante.” – Ian Gabriel, estudante, morador do centro de Camanducaia.


Por que um ambiente não escolar como forma de aprender português e a importância de fazer esta ponte para a escola?


O ambiente não escolar da cidade carrega uma memória cultural, por vezes adormecida.. O projeto da contadora tem o grande compromisso de guardiã da memorial cultural de determinada região, especificamente, como moradora de Camanducaia há 10 anos, ela pesquisa a região da Mantiqueira, as “lendas de Camanducaia”,  ela torna-se uma perseguidora de histórias, ela revive fatos do passado, ela busca os ambientes e aos arrredores, busca em asilos com grupos da 3ª idade, visita roças e pequenas comunidades, para que de alguma forma, reavive estas memórias e que elas não desapareçam, inclusive estórias ou histórias se assim preferirem, que poderiam ser muito bem recontadas e reaproveitadas nas escolas do município.


A grande vantagem deste projeto é que ele também pode assumir o papel itinerante, saltimbanco do teatro, assim ele volatilmente alcança populações vizinhas, populações carentes em lugares que são inacessíveis a um centro cultural ou uma biblioteca, é aí onde a biblioteca viva chega! Os livros percorrem longos percursos nesta busca cultural, assim enfatiza a diversidade, atinge o homem da cidade e do campo.


Através deste projeto é possível descobrir os talentos perdidos ou digamos encobertos pelas vastas regiões do Brasil, os alunos que demonstram já o interesse e facilidade , a chamada “veia literária”, pode ser melhor assistido e encaminhado pelo educador , professor e estimulado a desenvolver algo na escola, município, cidade, estado, Brasil e outros continentes.


A contadora trabalha a diversidade cultural através da leitura específica de um trabalho interativo que todos lêem um trecho ou uma frase do livro VIZINHO, VIZINHA  - Graça Lima, Roger Mello, Companhia das Letrinhas, então a partir da leitura vai se unindo as diferenças e ela relata a graça de todos encontrarem inferências dos personagens do livro dentro do seu bairro, com determinadas figuras da população em que vivem, obviamente inferências colocadas positivamente pela contadora e as crianças.


Outro tema de extrema importância nessas populações que não tem nenhum acesso a um Museu , Centro Cultural ou Centro de Exposições como , no caso, a situação de Camanducaia – é possível  resgatar o impacto visual dos livros, as obras de Arte, livros com referências artísticas, o aluno aprendendo a identificar estas obras…é Barroco, é Modernismo, é Expressionismo? O aluno também aprende a ver estas formas concomitantemente ao que ouve ou lê, ainda porquê, a contadora salienta esta preocupação em instigar isto nas leituras.


Mil folhinhas de contar:


Projeto encaminhado por Tecka desde 2009 para a Folha de São Paulo, é uma maneira de trazer mitos e histórias esquecidas para as edições semanais dos finais de semana, assim a repercussão a nível nacional se expande, uma vez que é um jornal de uma grande metrópole podendo abranger um maior número de leitores que saberão acessar estas ferramentas e o valor destas culturas através dos contadores de histórias de todo o Brasil. Há uma preocupação da comunicação dos contadores entre si e também que os contadores estejam lançados de forma virtual , assim espalhando culturae leituras por todos os lugares.


“Eco no Eco” ,  Umberto Eco, outra proposta fuuramente escolar:


O Ponto Miliumas já desenvolveu a contar estas histórias em centros culturais, como Sesc Pompéia, Usp, Centros Culturais no Rio de Janeiro , São Paulo e Minas Gerais.
As histórias e livros de Umberto Eco são delicadamente interpretadas pela atriz , com recursos também áudio-visuais, indumentárias artísticas, músicas especialmente para a contação da estória, figurinos lúdicos, dj’s…luzes, etc…o livro pode estar projetado em telas e este trabalho está dividido em 3 partes, uma vez que o Autor tem estes 3 livros dedicados ao público infanto-juvenil:


A Bomba e o General
Os Gnomos de Gnu
Os Três Astronautas




A criadora desta interpretação Tecka Mattoso aguarda para repercussão do projeto, resposta das editoras responsáveis para poder dar seguimento à âmbito nacional e internacional , uma vez que faz-se necessária a autorização da editora e dos autores das Obras como o ilustrador.


Pode-se constatar o benefício da amplitude cultural  destes projetos inseridos na sociedade e injetados nas escolas.
É possível observar  que as crianças e todos da comunidade apreciam muito este tom da”brincadeira de ler”. Este é um dos exercícios mais cognitivos possíveis, ajudando a trabalhar a capacidade psico-motora, o raciocínio, a memória , a capacidade de interpretação, cacpacidade de decisão e o mais importante : a capacidade crítica.






Incluir estas atividades perdidas, por vezes em cidades menos beneficiadas ao acesso destes acervos e obras, torna a biblioteca viva “uma guardiã da cultura”, dando resposta a tudo que a população lê, ouve e escreve, resgatando as peças mais perdidas da história e dos mitos do povo e da linguaguem historicamente registrada, trazendo um movimento novo para a vida, consequentemente para a vida escolar, um método de grande eficácia onde os alunos, pais e professores através destas visitações,  criam a educação do futuro.


Neste contexto o aluno toca, sente o cheiro da história, e relaciona-a com a atualidade,  jardim deste centro cultural.  A Biblioteca, por sua vez, que mesmo com inclusão digital, não perde sua pompa, está ali para compor o cenário do espaço cultural. Além de todo o saber escrito, também com jogos de xadrez, quem sabe a ser utilizado por algum professor de matemática. Parte de literatura, poesia e linguística,  o professor de línguas não só poderá apresentar aos seus alunos grande obras escritas, mas a representação de grandes autores e suas obras com as aulas de artes cênicas, assim como o professor de educação artística ou  professor de educação física , participar de uma aula de expressão corporal com os alunos de artes cênicas.
 A criatividade do professor é o grande diferencial das novas propostas pedagógicas.
Tais estratégias despertam o interesse dos estudantes pelos conteúdos, conferindo sentido real ao estudo apresentado em um livro.
Os objetivos e as vantagens de um professor que não se delimita ao ensino entre “quatro paredes” é a certeza de que os conhecimentos transmitidos aos seus alunos não ficará entre as linhas de um caderno, mas sim, o que ele aprendeu a partir da escola sempre terá relação com o seu conhecimento de  mundo.


Assim,  terminamos o nosso projeto com os parágrafos benditos do pensador e investigador Edgar Morin , Instituto Piaget:


“ O ser humano é um simultâneo físico, biológico, psíquico, cultural, social e histórico. É esta unidade complexa da natureza humana que esta completamente desintegrada no ensino, através das disciplinas, e tornou-se impossível aprender o que significa ser humano. É necessário restaurá-la, de forma que cada um, onde quer que esteja, tome conhecimento e consciência em simultâneo da sua identidade complexa e da sua identidade comum com todos os outros seres humanos.”
“ Não há sociedade humana, arcaica ou moderna que não tenha cultura, mas cada cultura é singular. Assim existe sempre a cultura nas culturas, mas a cultura não existe senão através das culturas.”







Referências Bibliográficas :


 - Para Uma Escola do Povo, Célestin Freinet, Editora Martins Fontes,  2ª edição, 2001.


 - O Poder do Projetos , Judy Harris Helm, Salle Beneke e colaboradores, Editora Artmed,  2003.


 - Os Sete Saberes Para a educação do Futuro, Edgar Morin, Ed.Horizontes Pedagógicos, Instituto Piaget,  2002.


- www.livroemmovimentoblogspot.com   material cedido gentilmente por Tecka Mattoso.


- Escrevendo pela Nova Ortografia, Ed Houaiss, 2011.


- Gramática em Textos,  Leila Lauar Sarmento, Ed Moderna, 2ªedição, 2010.


- Revista Literatura, Conhecimento Prático, Linguagem formal e informal – o que é correto ensinar em sala de aula, número 37, Escala Educacional, Setembro/2011.


 - Revista Língua Portuguesa, artigo : Leitura e Identidade Social – Os livros como protagonistas na formação dos cidadãos, número 32, Outubro/2011.


- www.estantevirtual.com.br


- www.cultura.gov.com.br – MinC


- www.vivabibliotecavivaitinerante.blogspot.com


- www.bibliotecaviva.cl (material pesquisado em espanhol da biblioteca viva no Chile).




 http://sistemas.conectait.com.br:8097/bn/application/doc_pdv/EDITAL3_2011.html




Projeto 2012





Cave de Contos


instalação de um livro, um vj e uma narradora que sussurra livro com fontes reveladas numa salinha de luzes e projeções, com o tradicional narrador sentado na nova era.


os temas que me puxam:






Bolinhas de sabão
Histórias de amar -Tumideste e Tumitinhas
Mil Folhinhas de Contar 



As Aves - montagem para teatro multimídia 
Para o Cavaleiro das Sete Luas (uma homenagem a Bartolomeu Campos Queirós)
História em 3 atos -para os pequenos 





Cavaleiros das sete luas 

Em noites de lua cheia havemos nossos encantos.

Os sete cavalos brancos desceram das sete luas .
Sete eram os cavaleiros 
 eram sete pares de asas
  e sete espadas de prata .
Quando deixaram as luas 
não era noite nem dia 
nem madrugada ou poente .
Se o dia  não chegara 
a noite houvera partido
eles saíram do tempo.
Por asas de penas claras
galopavam os cavalos 
e sobre eles, como anjos,
viajavam enviados
E sete Fios de de luz
tramavam rede no espaço.
eram sete caravelas
aladas em céu aberto
seguindo ordem do rei.
sobre os cascos dos navios
nadavam em par as velas :
eram sete marinheiros .
com sete rotas distintas
cortavam a gume de espada 





os ventos, nuvens e chuvas.
por ordem do mesmo rei 
traziam na mão esquerda 
sete sóis e um desejo
Viajaram sete dias 
sem dormir os sete escuros.



“Não existe um jeito certo ou errado de se contar uma história. Talvez você se esqueça do início, do meio ou do final. Mas um pouquinho de sol nascendo através de uma pequena janela também anima o coração. Por isso, adule os velhos resmungões para que contem suas melhores lembranças. Peça às criancinhas seus momentos mais felizes. Pergunte aos adolescentes os momentos mais assustadores das suas vidas. Dê a palavra aos velhos. Passe por toda a roda. Force os introvertidos. Pergunte a cada pessoa. Você vai ver. Todos serão aquecidos, sustentados pelo círculo de histórias que criarem juntos. Embora nenhum de nós vá viver para sempre, as histórias conseguem. Enquanto restar uma criatura que saiba contar a história e enquanto, com o fato de ela ser repetida, os poderes maiores do amor, da misericórdia, da generosidade e da perseverança forem continuamente invocados a estar no mundo, eu lhe garanto que... será suficiente.”





Clarissa Pinkola Estés






Curso para educadores

miliumas e a importância de se soltar bolinhas de sabão.














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