Miliumas

Miliumas
O livro em Movimento

domingo, novembro 25, 2012

Belas histórias

                                      Miliumas o livro em movimento

  Os Fios Dourados Das Histórias
"Os contos de fadas são, segundo Rudolf Steiner, um tesouro espiritual da humanidade.Fruto de vivências primordiais da existência humana, sua atuação tem um efeito inconsciente na alma ao resgatar, por meio de imagens significativas, o longo percurso do amadurecimento humano na Terra. Não se limitando a reproduzir eventos individuais, sua narrativa relata imageticamente o suceder de fatos comuns a todos os homens, caracterizando sagas que cada qual pode reconhecer inconscientemente como sua própria, independentemente da idade ou situação em que se encontre.
"Os contos de fadas são, segundo Rudolf Steiner, um tesouro espiritual da humanidade.Fruto de vivências primordiais da existência humana, sua atuação tem um efeito inconsciente na alma ao resgatar, por meio de imagens significativas, o longo percurso do amadurecimento humano na Terra. Não se limitando a reproduzir eventos individuais, sua narrativa relata imageticamente o suceder de fatos comuns a todos os homens, caracterizando sagas que cada qual pode reconhecer inconscientemente como sua própria, independentemente da idade ou situação em que se encontre.

                              



















  Belas histórias pra recontar 


Era uma vez um rei muito feliz que vivia num belo palácio com a sua rainha e a linda filhinha princesa. Todos os que trabalhavam para o rei, eram muito bem tratados e gostavam do seu emprego. O jardim era cheio de flores e árvores frutíferas. No meio dele jorrava uma fonte cuja água borbulhava como se estivesse rindo e era só ouvir aquele barulhinho, que a gente sorria e esquecia todas as mágoas.
Certo dia, porém, eis que apareceram uns gigantes vindo da floresta em direção ao palácio. Pareciam bravos e iam arrancando árvores que atrapalhavam o seu caminho.
O rei, assustado, chamou a sua família e os seus criados, e juntos saíram rapidinho pela porta dos fundos, correram pelo vale, subiram a montanha e pediram hospedagem numa fazenda.
Toda a felicidade se fora. O rei ia todos os dias sentar num murinho para observar o seu palácio. Um dia viu os gigantes jogando as cadeiras, que eram muito pequenas para suas bundas enormes, pelas janelas. Outro dia, um dos gigantes sentou-se na fonte e quebrou a ponta de onde jorrava a água, que assim se calou. E então o rei pensou em pedir ajuda. 
Mandou mensageiros a todos os recantos do país, dizendo que quem fosse capaz de expulsar os gigantes de seu palácio, seria recompensado com a mão da princesa. 
Logo começaram a vir os jovens heróis, guerreiros, em cavalos ferozes, dispostos a vencer esta aventura. Mas cada cavaleiro que se acercava do palácio era colhido da sua sela, como se fosse uma frutinha, pela mão de um gigante, e jogado no riacho.
Molhados e desapontados pediam desculpas ao rei e iam embora.
Então o rei chamou os sábios e feiticeiros. Ah, estes foram chegando, montados em burros ou carregados em liteiras. Com suas longas vestes e rostos sérios foram falar com o rei, prometendo que iriam afastar os gigantes do palácio. 
Desceram o morro e se postaram no pátio do palácio. O mais velho deles teve a honra de ser o primeiro a tentar. Tirou um giz do bolso e começou a riscar um círculo mágico no chão a sua volta para depois começar a dizer as palavras feiticeiras. Mas mal começara a falar, uma boca gigante soprou pela janela e as vestimentas do velho foram pegas pelo vento e ele jogado ao ar, caindo numa árvore onde ficou pendurado por sua capa. E asssim foi com cada um deles, apenas tinham feito seu círculo de giz, a boca gigante soprava e lá iam eles como pássaros mancos, ficar presos nos galhos. Com o orgulho ferido, subiram o morro, apoiando-se uns nos outros, e se despediram do rei, dizendo que não havia jeito de acabar com os gigantes.
O rei, sentado no seu murinho, estava desolado e lágrimas corriam por sua face.
Nisso chegou um moço, caminhando pela estrada, assobiando uma canção, que parou estupefato, ao ver o rei chorando.
-Senhor, que lhe acontece para estar assim?
-Ah, meu jovem, vê aquele palácio no vale? Era o lugar mais feliz do mundo, até que gigantes malvados se apoderaram dele, e nunca mais poderemos voltar lá. Guerreiros corajosos e feiticeiros sábios não conseguiram vencer os gigantes.
-Senhor, pois eu posso ajudar. Tenho uma idéia e se todos fizerem o que eu disser, afastaremos os gigantes de lá.
-Diga o que devemos fazer então!
-Todos, mas todos mesmo, deverão começar a rir, dançar e cantar.
O rei pediu a sua esposa, a sua filhinha e a todos os criados a mostrar alegria, e mesmo que lhe fosse difícil, o rei saiu na frente, cantando e dançando. Depois de algum tempo percebeu que nem era tão dificil assim, ficava cada vez mais fácil ser feliz.
A tardezinha deram uma espiada vale abaixo, e qual não foi a sua supresa ao ver que os gigantes tinham diminuído de tamanho! O rei exclamou: Mas parece que nem são tão grandes assim! Tenho que ver isso de perto! 
E cantando e dançando foi descendo se acercando do palácio, e todos foram junto. Chegando mais perto, os gigantes pareciam ter o tamanho normal de seres humanos e quando atravessaram o riacho e olharam por cima do muro, viram que os gigantes haviam encolhido mais ainda, pareciam anões de jardim! Aí sim que o rei, a rainha, a princesa e todos que estavam lá com eles, começaram a dar gargalhadas. Os gigantes já pareciam besouros de tão pequeninhos, e o rei pediu a princesa que fosse buscar uma vassoura e uma pazinha para varre-los. Quando a princesa voltou com as coisas, os gigantes tinham virado pó que foi levado pelo vento.
Que alegria ao entrar no castelo, e todos ajudaram a arrumar a bagunça, refazer o jardim, consertar a fonte e quando tudo ficou pronto, festejaram um belo de um casamento.
E desde então, sempre que alguem faz uma cara séria demais, o rei vai falar com ele:
-Olha, cuidado, viu, é melhor que voce ria e cante um pouquinho, senão, quem sabe, tem um gigante morando debaixo de uma unha no seu pé e começa a crescer novamente....

Recontado por Karin Ulex, um conto do livro “Stein und Flöte” de Ha

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